O agricultor Perea, da província de Meta, na Colômbia, decidiu abandonar o cultivo de coca, mas, desiludido com a falta de apoio financeiro, retornou à prática. Ele havia se comprometido a não plantar mais a planta, utilizada na produção de cocaína, após substituir os arbustos por culturas legais como mandioca e banana.
Perea é um dos muitos agricultores que participaram de um programa governamental de substituição de cultivos, que tinha como objetivo ajudar os produtores a deixar o cultivo de coca. No entanto, a promessa de assistência financeira e técnica frequentemente não se concretizou, dificultando a comercialização de suas novas culturas devido à falta de infraestrutura e inundações.
A realidade do cultivo de coca na Colômbia
Estima-se que a Colômbia seja responsável por cerca de 70% da oferta global de cocaína. A folha de coca, embora tradicionalmente utilizada por comunidades indígenas em chás e medicamentos, é amplamente processada para a produção da droga. Lucas Marín Llanes, um especialista em economia da coca, destaca que o cultivo da planta oferece vantagens como colheitas rápidas e facilidade de transporte, o que atrai muitos agricultores.
Desafios enfrentados pelos agricultores
Elena Hernández, que se mudou para a região de Guaviare na década de 1990, também buscou alternativas ao cultivo de coca. A adesão ao Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS) surgiu após um acordo de paz em 2016, prometendo apoio financeiro e técnico em troca da erradicação das plantações. Cada família participante deveria receber 36 milhões de pesos colombianos, cerca de R$ 57 mil, ao longo de dois anos.
No entanto, Hernández relata que a execução do programa foi marcada por atrasos nos pagamentos e falta de acompanhamento técnico. A mudança de governo em 2018 resultou em uma nova abordagem, priorizando a erradicação em detrimento do apoio aos agricultores. O atual presidente, Gustavo Petro, encontrou o PNIS em dificuldades e com atraso na entrega de assistência.
Apesar dos desafios, alguns agricultores, como Doralba Bejarano, relataram melhorias em suas condições de vida após a implementação do programa. Bejarano, que deixou de cultivar coca, agora se sente segura e participa de iniciativas que promovem culturas alternativas.
Os especialistas alertam que a demanda por cocaína nos EUA e na Europa, bem como o surgimento de novos mercados, continua a impulsionar o cultivo de coca na Colômbia. Michael Weintraub, do Centro de Estudos sobre Segurança e Drogas, afirma que, apesar de esforços para substituir a cultura, a oferta de coca deve persistir no futuro próximo.
O governo colombiano lançou recentemente o programa RenHacemos, que busca corrigir falhas do PNIS, oferecendo suporte financeiro e diversificação econômica, além de melhorias em infraestrutura e condições de vida. Gloria Miranda, diretora do órgão responsável pela substituição de cultivos, reconhece que a coca é uma atividade econômica que precisa ser abordada de forma abrangente para promover mudanças sustentáveis na região.
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