Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, reafirmou durante o evento Brazil-Korea Business Roundtable, realizado em São Paulo, que a estratégia do Brasil não é abandonar o mercado americano, mas sim diversificar as exportações para outros destinos. "Não queremos perder o mercado americano. Estamos trabalhando para aumentar nossa participação nos produtos que foram isentos, mas, ao mesmo tempo, fazendo um trabalho forte de diversificação", declarou Müller.

O evento ocorreu na terça-feira (28), quando Müller foi questionado sobre a abordagem do Brasil para diminuir a dependência de mercados específicos, como o norte-americano. O presidente da ApexBrasil anunciou que a agência lançará, em 11 de agosto, um plano de diversificação focado nos setores impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Iniciativas para novos mercados

De acordo com Müller, o plano incluirá ações específicas para aumentar a presença de produtos brasileiros em novos mercados, fundamentadas em estudos de inteligência comercial realizados em colaboração com entidades setoriais e o setor produtivo. "No dia 11, em São Paulo, vamos lançar um plano de diversificação junto com os setores empresariais. Para cada um dos 43 setores afetados pelas tarifas, vamos apontar quais são as prioridades e onde vamos investir para ampliar a diversificação dos mercados", afirmou.

Redução da concentração de exportações

Müller destacou que essa estratégia faz parte de um movimento mais amplo da ApexBrasil para diminuir a concentração das exportações brasileiras e aumentar a presença do país em mercados considerados estratégicos. "É isso que a gente vai acelerar daqui para frente: trabalhar para diversificar os nossos parceiros e os nossos mercados", disse.

Segundo o presidente da agência, a diversificação já começou entre as empresas que exportam para os Estados Unidos. Ele revelou que 72% das 2.400 empresas atendidas pela ApexBrasil que atuam no mercado americano já estão buscando pelo menos um mercado adicional para reduzir riscos.

A instabilidade no comércio internacional tem levado tanto empresas quanto governos a buscar parcerias mais previsíveis. Müller observou que essa situação tem incentivado a revisão das relações comerciais. "Essa instabilidade no comércio internacional não ajuda as empresas. Ela faz com que todo mundo reveja quem são os seus parceiros e trabalhe a diversificação", explicou.

O presidente da ApexBrasil também citou a Coreia do Sul como um exemplo promissor para essa estratégia. Segundo ele, o país asiático oferece oportunidades significativas para ampliar as exportações brasileiras, especialmente em alimentos, biocombustíveis, minerais críticos e tecnologia. Atualmente, o Brasil responde por cerca de 1% das importações sul-coreanas, que totalizam aproximadamente US$ 600 bilhões por ano.

Por fim, Müller enfatizou que o objetivo do Brasil é atrair investimentos para desenvolver a cadeia de minerais críticos no país, e não apenas exportar matérias-primas. "O Brasil espera construir a cadeia de minerais críticos e raros aqui. Para isso, precisamos principalmente de investimento internacional e de mercado. A Coreia tem tecnologia, capital e demanda, o que torna esse diálogo estratégico", concluiu.