A França suspendeu, nesta quarta-feira (7), o uso de granadas de efeito moral pela polícia durante os protestos estudantis, depois que um adolescente perdeu uma mão devido a um desses artefatos.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão do uso de bombas de efeito moral nos protestos estudantis até que os incidentes ocorridos sejam esclarecidos. Segundo uma fonte sindical policial, o estudante de 15 anos perdeu a mão ao pegar uma granada de dispersão lançada pela polícia em Lens, no norte da França.

Outro estudante de 14 anos, no noroeste de Paris, perdeu vários dentes devido à explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo a curtíssima distância. O ministro explicou que a suspensão se aplica 'apenas aos protestos de estudantes do ensino médio' e 'somente pelo tempo necessário para compreender o que aconteceu'.

Contexto dos protestos

Mais de 6.500 pessoas, em sua maioria menores de idade, foram detidas desde o início das manifestações, que começaram com reivindicações por melhores condições nas escolas de ensino médio. Além disso, centenas de estudantes, policiais e profissionais da educação ficaram feridos.

O primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, descreveu os protestos como 'manifestações estudantis mais violentas em décadas’ ao citar a quantidade de feridos.

Reações políticas

O coordenador do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), Manuel Bompard, criticou o governo Macron. 'Foi preciso que vários jovens ficassem mutilados para o resto da vida para que Nuñez desistisse de usar granadas contra estudantes do ensino médio', afirmou.

Por outro lado, a ultradireitista Marine Le Pen acusou Macron de ficar 'sempre do lado daqueles que atacam a polícia'.