Os gastos de brasileiros no exterior totalizaram US$ 12,61 bilhões no primeiro semestre de 2023, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (28). Esse montante representa um aumento de 22,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando os gastos foram de US$ 10,3 bilhões. É também o maior valor registrado para os primeiros seis meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.

Impacto da queda do dólar nas viagens internacionais

O crescimento nos gastos ocorre em um contexto de queda na cotação do dólar, que torna mais acessíveis as viagens para o exterior. Passagens aéreas, hospedagem e produtos e serviços fora do Brasil são geralmente cotados em moeda estrangeira. Assim, a desvalorização do dólar resulta em menores custos para os brasileiros que viajam.

Embora o dólar tenha fechado em alta de 0,60% na última segunda-feira (27), cotado a R$ 5,11, o recuo acumulado no ano é de 6,87%. Essa queda na moeda norte-americana se dá em meio a tensões no Oriente Médio, com o mercado percebendo que o Brasil, como exportador de petróleo, está em uma posição relativamente favorável em comparação a outras economias, o que ajuda a valorizar o real.

Desempenho das contas externas e investimentos

O Banco Central também reportou que o déficit nas contas externas brasileiras caiu 16,34% no primeiro semestre de 2023. O saldo negativo nas contas de transações correntes foi de US$ 27,47 bilhões, uma melhoria em relação ao déficit de US$ 32,85 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.

Esse resultado é um dos principais indicadores sobre o setor externo do país e é composto por três elementos principais: a balança comercial, que abrange o comércio de produtos entre o Brasil e outros países; os serviços adquiridos por brasileiros no exterior; e as rendas, que incluem remessas de juros, lucros e dividendos enviados ao exterior.

O Banco Central observa que o tamanho do déficit nas contas externas está intimamente relacionado ao crescimento econômico. Em períodos de crescimento, há uma maior demanda por produtos e serviços estrangeiros, o que tende a aumentar o déficit. Com a desaceleração da economia, esse déficit geralmente diminui.

Além disso, os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira aumentaram no primeiro semestre de 2023, totalizando US$ 47 bilhões, em comparação a US$ 35,4 bilhões no mesmo período do ano passado. Esses investimentos foram suficientes para financiar o déficit em transações correntes dos dois primeiros meses do ano.