Um impacto de asteroide ocorrido há 66 milhões de anos provocou um incêndio em escala planetária que queimou dinossauros em todo o mundo, conforme revelam simulações do evento.
O asteroide, conhecido como Chicxulub, tinha entre 10 e 15 quilômetros de largura e colidiu na região que hoje é o Golfo do México, marcando o fim do Período Cretáceo.
Novas descobertas sobre o impacto
Até o momento, acreditava-se que os piores efeitos do calor e dos incêndios seriam relativamente regionais, e que as extinções globais eram principalmente causadas por um “inverno nuclear”, onde a poeira bloqueava a luz solar e causava um resfriamento drástico.
Brandon Johnson, da Universidade de Purdue, Indiana, e sua equipe analisaram observações geológicas e simulações de impacto em laboratório, revelando que cerca de cinco vezes mais material foi vaporizado pelo impacto do que se pensava anteriormente.
As novas investigações indicam que, após a colisão, uma pluma de vapor de rocha foi lançada a dezenas de milhares de quilômetros no espaço e se espalhou por toda a atmosfera terrestre.
“Após o impacto, leva apenas cerca de um segundo para que grande parte da energia cinética seja convertida em calor, vaporizando mais de 1.000 quilômetros cúbicos de rocha”, afirma Johnson.
Consequências catastróficas
Logo após, a pluma de vapor se expandiu acima da atmosfera da Terra, resultando na condensação de poeira e esferas metálicas chamadas esferulitas. Essa nuvem de vapor se transformou em 1,6 trilhão de toneladas de poeira, que cobriu o planeta e reteve o calor, segundo o estudo.
Enquanto isso, as esferulitas mais pesadas retornaram à atmosfera. “À medida que esse material reentra na atmosfera nas horas seguintes, a fricção desacelera e aquece as esferulitas, criando um pulso de radiação térmica que dura cerca de uma hora”, explica Johnson.
Esse fenômeno teria sido letal para criaturas que não conseguiram se abrigar, sendo intenso o suficiente para inflamar a vegetação, como gramíneas e agulhas de pinheiros, e possivelmente até mesmo árvores.
O registro geológico sugere que os incêndios resultantes podem ter durado anos, em uma escala global, semelhante aos incêndios florestais que atualmente afligem a Europa.
“Os animais do Cretáceo teriam recebido 17 vezes a dose de radiação térmica que é 100% letal para humanos”, destaca Johnson. “Isso deve ser suficiente para eliminar até mesmo dinossauros de pele grossa.”
Craig O’Neill, da Queensland University of Technology, na Austrália, observa que o estudo revela que a camada de poeira ao redor do planeta era essencialmente opaca à luz infravermelha e visível, aprisionando o calor. “Cada joule de calor gerado pelas esferulitas em queda é transformado em um pulso térmico que cozinha a superfície da Terra”, comenta O’Neill.
Contudo, ele ressalta que a história não se limita a isso. A vida nos oceanos também foi severamente afetada, levando muitos animais marinhos, como mosassauros e amonites, à extinção. Esse impacto é melhor explicado pelos efeitos de um inverno nuclear, que bloqueou a luz solar para organismos fotossintetizantes, em vez de um pulso térmico atmosférico, afirma O’Neill.
“Tendemos a pensar em eventos de extinção em massa como um mistério de assassinato - se conseguirmos encontrar a arma do crime, poderemos resolver o caso. Mas as extinções em massa parecem mais um sistema em cascata de falhas”, conclui.
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