O Paquistão condenou os recentes ataques da milícia Houthi, apoiada pelo Irã, a petroleiros sauditas no Mar Vermelho, alertando que qualquer ameaça aos seus interesses marítimos poderá resultar no "uso legítimo da força". A declaração foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores paquistanês, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.
O Paquistão mantém uma relação comercial e de segurança estreita com a Arábia Saudita, com navios de bandeira paquistanesa frequentemente frequentando portos sauditas. Em setembro do ano passado, os dois países assinaram um acordo de defesa mútua que inclui uma cláusula de "segurança coletiva", que considera um ataque a um dos países como um ataque ao outro.
Após os ataques a mísseis perpetrados pelos Houthis contra o sul da Arábia Saudita, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão reafirmou seu "compromisso inabalável" com o pacto de segurança. Contudo, o Paquistão também possui laços com o Irã e tem atuado como mediador nas tensões entre Teerã e Washington.
O dilema do Paquistão entre Arábia Saudita e Irã
Tradicionalmente, a Arábia Saudita e o Paquistão têm desfrutado de relações militares e estratégicas próximas, com generais e conselheiros militares paquistaneses auxiliando o reino por décadas. Farea Al-Muslimi, especialista em Iémen do think tank Chatham House, afirmou que tropas paquistanesas já estão presentes no Iémen, apoiando as forças sauditas em funções de segurança e treinamento. No entanto, um oficial paquistanês negou essa afirmação.
Se os ataques houthis a petroleiros e embarcações comerciais aumentarem no Mar Vermelho, a Arábia Saudita pode buscar a assistência do Paquistão. Michael Kugelman, do Atlantic Council, destacou que o Paquistão é um dos parceiros de defesa mais próximos de Riad, tornando tal solicitação plausível.
Possíveis limites ao envolvimento militar do Paquistão
Analistas indicam que, se a Arábia Saudita solicitar ajuda, a contribuição do Paquistão provavelmente se concentrará na proteção de interesses sauditas, em vez de operações ofensivas. Ayesha Siddiqa, analista militar paquistanesa, observou que a preferência seria por um envolvimento defensivo, dada a natureza arriscada de expandir operações no Mar Vermelho.
Esse enfoque pode incluir compartilhamento de inteligência, cooperação em defesa aérea, vigilância marítima e proteção de infraestrutura crítica saudita. Apesar de seus laços militares e do pacto de defesa mútua com a Arábia Saudita, o Paquistão deve evitar fornecer armas ou tropas, visando prevenir uma escalada regional e preservar sua função de mediador no conflito com o Irã.
A Arábia Saudita, por sua vez, tem exercido considerável contenção desde que encerrou sua campanha militar em larga escala no Iémen. No entanto, ataques contínuos à sua infraestrutura de petróleo e navegação comercial podem forçá-la a adotar uma postura mais agressiva.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.