Os principais responsáveis pela arbitragem das 55 associações nacionais de futebol da Europa se reuniram na semana passada com representantes da Uefa e do International Football Association Board (Ifab) para discutir mudanças recentes nas regras do esporte. Durante o encontro, ficou claro que os árbitros devem utilizar o VAR apenas para corrigir decisões que sejam 'claramente incorretas' e para incidentes que tenham sido claramente ignorados.
Retorno aos princípios originais do VAR
A Uefa destacou que, desde a introdução do VAR em 2018, a filosofia foi de 'mínima interferência - máximo benefício', visando reduzir a 'injustiça causada por erros claros e óbvios ou incidentes graves não percebidos', especialmente em relação a gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e casos de identidade equivocada. Recentemente, os chefes de arbitragem concordaram que é necessário retomar esses objetivos originais.
Em uma declaração, a Uefa afirmou: "Foi reiterado que, de acordo com o protocolo, o VAR deve intervir apenas em situações de erro 'claro e óbvio', ou seja, quando uma decisão do árbitro é claramente incorreta ou quando o árbitro deixou de ver um incidente claro." A entidade enfatizou que o VAR não deve ser utilizado para reavaliar o jogo, mas sim como um suporte essencial para os árbitros, que devem continuar sendo o foco central na tomada de decisões.
Esclarecimentos sobre regras e mudanças recentes
Os oficiais também reconheceram a recente clarificação do Ifab sobre a interpretação correta da regra de 'identidade equivocada', que foi introduzida antes da Copa do Mundo deste verão. Essa regra permite que uma decisão de cartão amarelo ou vermelho seja alterada caso o jogador punido não tenha sido o responsável pela falta. O jogador suíço Breel Embolo foi o primeiro a ser expulso sob essa nova legislação após receber um cartão amarelo controverso por simulação em uma partida contra a Argentina.
A clarificação do Ifab estabelece que o VAR pode revisar apenas as advertências para "identificar o jogador que cometeu a infração penalizada, não para revisar ou alterar a infração". Além disso, houve um "apoio unânime" para mudanças nas regras visando reduzir atrasos desnecessários, incluindo limites de tempo para cobranças de escanteios, arremessos e substituições, além de novas regulamentações sobre lesões em campo e pausas táticas para goleiros.
A declaração emitida pelos responsáveis pela arbitragem sugere uma intenção positiva em ajustar o uso do VAR. No entanto, a definição de 'claro e óbvio' continua a ser um tema subjetivo, gerando debates sobre o que constitui um erro inegável. Enquanto alguns defendem que certas decisões, como o gol anulado de Luis Diaz pelo Liverpool em 2023, deveriam ser facilmente revertidas, outros destacam que a interpretação pode variar significativamente entre diferentes técnicos e árbitros.
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