A NASA, por meio do Observatório Swift, registrou um evento raro onde um buraco negro supermassivo devorou uma estrela a mais de 30 mil anos-luz do centro de uma galáxia distante, tornando-se temporariamente mais brilhante que toda a galáxia em luz ultravioleta.
Esse buraco negro, com uma massa aproximadamente um milhão de vezes a do Sol, foi identificado como um "órfão" por estar localizado em uma região incomum, longe do núcleo galáctico, onde normalmente se encontram esses objetos. A descoberta é significativa por ser a primeira vez que um evento desse tipo é detectado a tal distância do centro galáctico.
Evento de Disrupção Tidal
A observação teve início com um forte brilho causado quando uma estrela se aproximou demais do buraco negro, sendo destruída por sua gravidade intensa. Astrônomos chamam essa ocorrência de evento de disrupção tidal.
O primeiro indício da presença do buraco negro foi em novembro de 2025, quando o Zwicky Transient Facility, um projeto de monitoramento do céu, detectou um flash incomum em uma galáxia a cerca de 750 milhões de anos-luz da Terra. Segundo Robert Stein, pesquisador da Universidade de Maryland e do Goddard Space Flight Center da NASA, um novo algoritmo de inteligência artificial reconheceu o evento como uma possível disrupção tidal, apesar de sua localização atípica.
Confirmação e Análise do Evento
Após a detecção inicial, outros observatórios, incluindo o telescópio SOAR no Chile, analisaram o espectro da fonte e confirmaram que as características eram compatíveis com um evento de disrupção tidal. O Swift, por sua vez, mediu a temperatura do brilho em cerca de 30 mil graus Celsius, corroborando a interpretação do evento.
A presença de buracos negros supermassivos é uma constante nas galáxias do universo, e eventos de disrupção tidal acontecem aproximadamente a cada 100 mil anos em uma galáxia. Antes de 2024, todos os exemplos confirmados ocorreram próximos ao centro galáctico, mas essa nova descoberta expande o entendimento sobre a localização desses buracos negros.
Implicações e Novas Pesquisas
A localização do buraco negro levanta questões sobre sua origem. Stein sugere que ele poderia ter se originado a partir de um núcleo galáctico de uma galáxia menor que se fundiu com a maior. Pesquisadores estão considerando cenários onde múltiplas galáxias se fundiram, ou onde uma galáxia anã ainda está se integrando ao sistema maior.
As futuras observações do Swift estão temporariamente suspensas devido a um plano de elevação de órbita, mas quando retomadas, poderão ajudar a identificar mais buracos negros errantes. Além disso, as novas tecnologias do Vera C. Rubin Observatory e do Nancy Grace Roman Space Telescope permitirão a detecção de uma amostra maior de eventos de disrupção tidal, oferecendo insights valiosos sobre a presença de buracos negros fora dos centros galácticos.
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