Dr. Sally Cheseldine destaca as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiências intelectuais severas ou autismo que não conseguem expressar sua dor, resultando em um diagnóstico inadequado de enxaquecas.
Durante sua carreira clínica, Cheseldine observou que a enxaqueca é raramente identificada em indivíduos não verbais que sofrem de condições como autismo. Esses pacientes, incapazes de comunicar que sentem dor de cabeça, frequentemente exibem comportamentos autolesivos, como bater a cabeça, que podem ser uma resposta à dor que não conseguem articular.
Impacto da dor não diagnosticada
O fenômeno do bate-cabeça é uma manifestação comum entre esses indivíduos, e, segundo Cheseldine, pode ser um reflexo da dor intensa que eles sentem, mas não conseguem expressar. Outros profissionais da saúde também relatam que pessoas que experienciam enxaquecas e não têm acesso a alívio imediato podem sentir a mesma tendência a se machucar.
Cravings e enxaquecas
Além disso, a médica se mostrou interessada na teoria de que os desejos por certos alimentos, como queijo, podem estar ligados a episódios de enxaqueca. O queijo é rico em triptofano, um aminoácido que, segundo um estudo realizado na década de 1990 por McDougle et al., foi associado ao aumento de comportamentos estereotipados em pessoas com autismo que apresentavam níveis baixos de triptofano.
Essa relação sugere que a busca por queijo pode ser um mecanismo compensatório para lidar com a dor, embora mais pesquisas sejam necessárias para entender completamente essa dinâmica.
O reconhecimento da enxaqueca em populações vulneráveis é essencial para a melhora da qualidade de vida desses indivíduos, e a falta de diagnóstico pode levar a consequências severas, incluindo complicações comportamentais e emocionais.
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