Fatores de risco para acidente vascular cerebral (AVC), como hipertensão e diabetes, estão crescendo mais rapidamente entre pessoas de origem africana e caribenha em comparação a seus pares brancos, segundo uma análise realizada por pesquisadores do King’s College London.
A pesquisa, que abrangeu dados de mais de 8.500 adultos ao longo de 30 anos do South London Stroke Register, um dos registros de AVC populacional mais antigos do mundo, revelou que a prevalência desses fatores de risco está em ascensão, especialmente entre a população negra.
Aumento significativo de diabetes e hipertensão
O estudo constatou que pessoas de origem africana enfrentam uma probabilidade duas vezes maior de sofrer um AVC sem um diagnóstico prévio de fatores de risco, com taxas de 12% para este grupo, em comparação a 6% entre os brancos. Aproximadamente uma em cada seis pessoas no Reino Unido terá um AVC em sua vida.
Além disso, o diabetes é cerca de duas vezes mais comum entre negros caribenhos e africanos registrados em relação aos participantes brancos. A hipertensão se mostrou 29% mais prevalente entre negros caribenhos e 47% mais entre negros africanos. Enquanto as taxas de diabetes aumentaram para todos os grupos étnicos ao longo do período de 30 anos, o crescimento foi mais acentuado entre os participantes de origem africana, saltando de 21% entre 1995 e 2004 para 41% entre 2015 e 2024.
Desigualdades socioeconômicas e necessidade de ação
A Dra. Eva Emmett, pesquisadora do King’s College London e autora principal do estudo, destacou que “a prevalência de hipertensão e diabetes pré-AVC é maior e está aumentando mais rapidamente em grupos minoritários étnicos e de menor nível socioeconômico”. De acordo com ela, a combinação da idade mais jovem dos negros ao sofrer um AVC e a maior probabilidade de ter um AVC sem um diagnóstico prévio reforça a necessidade de esforços direcionados e precoces para prevenção primária.
Atualmente, as avaliações de saúde do NHS, que verificam hipertensão e diabetes, começam aos 40 anos. Contudo, a Dra. Emmett argumenta que isso pode ser tarde demais para grupos de maior risco, que frequentemente enfrentam AVC em idades mais jovens. Ela pede por melhorias universais na detecção de riscos cardiovasculares e estratégias de prevenção mais direcionadas, incluindo a redução da idade de triagem para os mais vulneráveis.
O estudo também revelou disparidades socioeconômicas entre os participantes. A prevalência de diabetes era 23% mais alta em trabalhadores de ocupações manuais, como motoristas de ônibus e encanadores, em comparação com aqueles em empregos não manuais, como professores e enfermeiros. Além disso, a prevalência de diabetes era 21% maior entre indivíduos com menor nível educacional.
A Dra. Maëva May, diretora de políticas da Stroke Association, enfatizou que os achados são um lembrete contundente de que “os benefícios da prevenção não estão sendo sentidos igualmente”. Ela observa que muitas pessoas das comunidades africanas e caribenhas, assim como aquelas em situações socioeconômicas mais desfavorecidas, estão desenvolvendo fatores de risco para AVC mais cedo e enfrentando a condição antes que esses riscos sejam identificados.
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