O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, afirmou neste domingo (4/10) que os órgãos responsáveis pela segurança e acompanhamento das eleições não identificaram evidências concretas de interferência estrangeira na votação. A avaliação foi apresentada durante entrevista coletiva sobre o andamento do primeiro turno, na sede do tribunal, em Brasília.

Segundo o ministro, os relatórios recebidos pela Justiça Eleitoral também não indicam ameaça do crime organizado ao pleito. Ele avaliou que a votação ocorre dentro da normalidade e atribuiu parte desse cenário à preparação conjunta do TSE com instituições públicas, entidades da sociedade civil e empresas de tecnologia.

Apuração da PF

Mais cedo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou a abertura de uma apuração preliminar sobre possíveis interferências externas nas eleições, a pedido da Advocacia-Geral da União. Ele também afirmou que, até aquele momento, não havia comprovação de atuação de grupos estrangeiros sobre o pleito.

O pedido da AGU foi motivado por reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a previsão de destinação de aproximadamente R$ 5 milhões de um fundo do governo dos Estados Unidos a grupos brasileiros que criticam o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes. O caso está sob análise da Diretoria de Inteligência da PF.

Judicialização

Nunes Marques disse considerar possível que candidatos recorram à Justiça depois da votação. Para ele, esse movimento faz parte da prática brasileira de levar disputas eleitorais aos tribunais, especialmente quando envolvem suspeitas de abuso de poder político ou econômico.

O ministro ressaltou, porém, que o acompanhamento do sistema eletrônico de votação envolve diversas instituições, que participam da preparação e da fiscalização das eleições.