A Unilever, proprietária de marcas como Marmite, Dove e Hellmann’s, alertou que implementará novos aumentos de preços nos próximos meses. A decisão é uma resposta aos custos crescentes enfrentados pela empresa.
Vendas em alta, mas custos também
Em comunicado aos acionistas na última terça-feira, a empresa anglo-holandesa observou que, embora o ritmo de aumento de preços tenha desacelerado no segundo trimestre, isso se deve, em parte, a descontos relacionados à Copa do Mundo e a esforços para se manter competitiva no Brasil. A Unilever enfatizou que esses fatores são temporários e não protegerão os consumidores por muito tempo.
"Esperamos que o crescimento de preços subjacente acelere na segunda metade do ano, à medida que os preços impulsionados por commodities continuem a impactar o mercado", afirmou a empresa. Isso pode resultar em lucros mais altos para a Unilever, dependendo da disposição dos consumidores em continuar comprando seus produtos, mesmo com os aumentos de preços.
Lealdade à marca e desafios econômicos
De acordo com a Unilever, suas vendas subjacentes aumentaram 5,8% no segundo trimestre, elevando o faturamento em 3,8%, totalizando €13 bilhões (£11,1 bilhões). Victoria Scholar, chefe de investimentos da Interactive Investor, comentou sobre a resiliência dos consumidores: "Eles continuaram a demandar produtos de marca da Unilever, em vez de trocar por alternativas mais baratas, apesar da pressão do custo de vida, provando a força da lealdade à marca".
Entretanto, empresas como a Unilever têm enfrentado um aumento nos custos dos ingredientes e serviços, impulsionado por preços mais altos do petróleo desde março, quando o conflito entre EUA e Israel e o Irã interrompeu efetivamente o tráfego de petroleiros pelo estreito de Ormuz. Apesar das oscilações nos preços do petróleo, isso ainda não resultou em uma queda sustentada nos custos para os fabricantes, que esperam repassar os aumentos para os consumidores.
Inflation e possíveis impactos futuros
Embora a inflação no Reino Unido tenha caído inesperadamente para 2,6% em junho, economistas alertam que o Banco da Inglaterra pode ser forçado a revisar suas previsões econômicas e aumentar as taxas de juros ainda este ano, caso os preços do petróleo voltem a ultrapassar US$100 por barril. Mohamed El-Erian, professor da Universidade da Pensilvânia e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, sugeriu que um aumento sustentado nos preços do petróleo para US$90 por barril poderia ser suficiente para reescrever as previsões dos formuladores de políticas do Reino Unido.
"Se os preços do petróleo permanecerem acima de US$90 por barril, um 'se' importante, a inflação geral enfrentará pressão significativa para cima. Isso, por sua vez, aumentaria as preocupações sobre efeitos indiretos imediatos, incluindo o aumento dos preços dos alimentos impulsionados pelos custos de transporte a diesel, e efeitos de segunda rodada mais amplos ao longo do tempo", afirmou El-Erian.
Esses fatores podem exercer pressão adicional sobre os clientes da Unilever, que possui fábricas em várias localidades do Reino Unido, incluindo Crumlin, no País de Gales, onde são fabricados produtos como Pot Noodle, e em Burton-on-Trent, onde são produzidos Hellmann’s, Marmite e Colman’s.
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