A Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) anunciou no dia 28 de novembro de 2023 a abertura de uma investigação sobre o vestibular realizado neste ano, diante de suspeitas de fraude envolvendo o uso de inteligência artificial (IA). Este exame de admissão foi aplicado online pela primeira vez, o que gerou preocupações sobre a integridade do processo.
O reitor da Unam, Leonardo Lomelí, decidiu suspender o andamento do processo seletivo e designou uma comissão para revisar os resultados. A prova foi realizada com câmeras e microfones ativados, e um monitor tinha a autoridade de solicitar que os candidatos mostrassem o ambiente ao redor durante a aplicação do exame. Uma jornalista da AFP, que participou da prova, confirmou a presença desses recursos de monitoramento.
Resultados questionáveis e polêmica entre estudantes
A polêmica ganhou força após o programador e especialista em IA, Helios Ocaña, analisar os resultados da prova aplicada entre maio e junho. Ocaña observou que a média de acertos dos candidatos triplicou em 2026, se comparada ao ano anterior, levantando questões sobre a validade do exame.
“Não podemos garantir que os candidatos colaram ou usaram IA”, escreveu Ocaña em uma postagem na rede social X. O especialista também apontou que a realização da prova em casa poderia ter reduzido a ansiedade e o estresse dos candidatos, além de questionar se as mudanças na dificuldade da prova poderiam ter contribuído para o aumento nas notas.
Em resposta à controvérsia, grupos de estudantes realizaram protestos no início da semana, exigindo que os resultados do vestibular contestados fossem respeitados. Por outro lado, candidatos que não obtiveram aprovação pedem a reaplicação da prova de forma presencial, alegando que a modalidade online comprometeu a equidade do processo seletivo.
Reação das autoridades e próximos passos
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também se manifestou sobre a situação, solicitando uma investigação minuciosa sobre as alegações de fraude. “Têm que ver como essa fraude ocorreu (...) Se a empresa contratada para fazer a prova participou”, afirmou a presidente, destacando a importância de esclarecer os fatos.
Enquanto a Unam conduz sua investigação, a situação continua a gerar discussões acaloradas entre os estudantes e a comunidade acadêmica, refletindo a preocupação com a integridade dos processos de admissão nas instituições de ensino superior no país.
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