A contaminação alimentar tem gerado cada vez mais alertas à saúde, tornando difícil manter uma dieta livre de substâncias prejudiciais. A série da FRANCE 24 explora como limitar a exposição a esses poluentes e as dificuldades em eliminá-los do organismo.

Contaminantes alimentares e seus riscos

O cadmium e os chamados "forever chemicals" são exemplos de poluentes que afetam a saúde humana. O cadmium, por exemplo, é associado a riscos elevados de câncer e doenças cardiovasculares, segundo um estudo da Agência Nacional de Segurança Alimentar da França (ANSES) divulgado em março. A pesquisa indicou que a alimentação é uma das principais fontes de exposição a esse metal pesado, que se acumula no fígado e nos rins.

Um estudo da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) em 2012 analisou 144 grupos alimentares e identificou os mais contaminados. Alimentos como algas, sementes oleaginosas, cogumelos, órgãos de animais e crustáceos apresentam concentrações de cadmium superiores a 10 microgramas por quilograma, sendo considerado um nível alto de contaminação.

Dicas para reduzir a exposição ao cadmium

Embora alguns desses alimentos sejam consumidos esporadicamente, a maioria da contaminação provém de itens consumidos diariamente, como cereais, pães e batatas. O cardiologista Pierre Souvet recomenda diversificar a dieta. Por exemplo, se você já comeu massa no almoço, pode optar por frutas ou iogurtes no lanche da tarde. Ele sugere que pratos à base de leguminosas sejam escolhidos com mais frequência.

Além disso, Souvet alerta para a importância de escolher alimentos de regiões com menor contaminação por cadmium. Chocolates de diferentes origens, por exemplo, podem apresentar variações significativas nos níveis do metal pesado. Ele também destaca que deficiências de ferro, zinco ou cálcio podem aumentar a absorção do cadmium pelo organismo, com as mulheres sendo mais afetadas.

Os riscos dos forever chemicals

Os "forever chemicals", como os PFAS, também são uma preocupação crescente. Uma análise da ONG ambiental Générations Futures revelou que 69% dos peixes e 55% dos moluscos testados apresentaram contaminação por pelo menos um dos PFAS regulamentados. Na França, a contaminação de peixes chegou a 88%. Os dados indicam que a melhor estratégia é limitar a ingestão de peixes de água doce, órgãos de animais e produtos lácteos, preferindo alimentos ricos em fibras, como frutas e vegetais.

François Veillerette, porta-voz da ONG, ressalta que os níveis de PFAS podem variar significativamente dentro da mesma categoria de alimentos. Por exemplo, peixes como o perca e a enguia têm concentrações mais altas, enquanto a dourada e o salmão apresentam níveis mais baixos. Ele enfatiza a importância de diversificar não apenas os tipos de alimentos, mas também as fontes e marcas.

Além disso, a água potável é frequentemente debatida em relação à poluição por PFAS. A Générations Futures lançou um mapa interativo para monitorar os níveis de contaminação na água da torneira, ajudando os consumidores a tomarem decisões mais informadas sobre sua saúde.